[sob este título publicarei na íntegra os textos, sempre que não exista 'link' ou que o mesmo seja reservado a assinantes, ou deixarei 'ligação' para 'opiniões' com as quais, nas suas traves mestras, concorde.
o único propósito é que não se cometam erros futuros a partir de apreciações enviesadas de um passado recente.]
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bruno prata, no 'público' de 21 de junho:"O Scolari de sempre
A participação de Portugal no Europeu mostrou alguma falta de maturidade, mas também as insuficiências de Scolari, designadamente do ponto de vista táctico. Nos cinco anos e meio que o brasileiro esteve à frente da selecção, Portugal não conseguiu vencer nenhum adversário verdadeiramente da primeira linha mundial nas três fases finais em que participou.
A única excepção foi, de alguma forma, a Holanda, que Portugal bateu nas meias-finais do Euro 2004. Mas isso também foi conseguido por outros seleccionadores (Carlos Queiroz, Artur Jorge, Humberto Coelho e António Oliveira), sinal claro de que o futebol português fica confortável nos duelos com a selecção "laranja".
Na fase final do Euro 2004, Portugal empatou nos quartos-de-final com a Inglaterra (embora passando na decisão por penáltis) e venceu a Holanda, já depois de se ter superiorizado à Rússia (adversário de segundo plano) e à Espanha (que tem falhado nos grandes momentos). Pior do que isso, perdeu duas vezes com a Grécia. De facto, os gregos são um bom exemplo de que Scolari raramente retira ensinamentos dos desaires: defrontou-os quatro vezes, incluindo os jogos particulares, e nunca lhes conseguiu ganhar.
No Mundial da Alemanha, Scolari tirou, mais uma vez, partido da felicidade que o acompanhou nos sorteios das provas, tanto nas qualificações como nas fases finais. Portugal começou por bater a Angola, o Irão e o México, na fase de grupos. Esta última é uma selecção remediada, as outras nem isso. Confirmou, de seguida, a tendência histórica para os triunfos sobre a Holanda, para depois voltar a empatar com a Inglaterra (eliminada novamente na lotaria dos penáltis). Acabou afastado nas meias-finais pela França, sempre um osso duro de roer para Portugal. Na atribuição do terceiro e quarto lugares, foi derrotada pela Alemanha, que, embora beneficiando do factor casa, fazia uma espécie de travessia no deserto.
Portugal saiu prematuramente do Euro 2008, após voltar a ser batido pelos germânicos e se ter superiorizado, na primeira fase, a equipas medianas como a Rep. Checa, Turquia e Suíça. O balanço final foi, no máximo, sofrível, designadamente se levarmos em conta que Portugal tem hoje alguns dos melhores craques mundiais. Mesmo com um Ronaldo desgastado e com uma lesão (ver notícia ao lado), poucas vezes terá tido na sua história tantos jogadores de qualidade extra - deixar Maniche de fora e levar o irmão dele só para animar as hostes foi um disparate com custos difíceis de avaliar.
Scolari nunca teve, por exemplo, um Deco num momento de forma tão extraordinário. Nem um conjunto de centrais ou de extremos que faz inveja a qualquer selecção. A falta de um ponta-de-lança é um problema real, mas podia ter sido resolvido colocando Ronaldo ao meio, até porque abriria lugar a um Nani que fez mais do que o merecer. Isso impunha-se anteontem, onde também não teria sido mal vista a aposta em Bruno Alves (até para que o jogo aéreo de Pepe pudesse ser rentabilizado no miolo e nos problemáticos lances de bola parada). Ok, continuaria a existir o problema na baliza, onde Ricado mostrou estar ao nível da "Liga dos Últimos", talvez o único sítio onde se vêem tantas saídas de olhos fechados. Para a história ficará o segundo lugar no Euro 2004 (disputado em Portugal, é bom lembrar, e beneficiando da herança de Mourinho) e o quarto no Mundial 2006. Mas o que fica mais da passagem de Scolari por Portugal? A independência, para uns, a teimosia, para outros. Demasiado pouco.
P.S. Gilberto Madaíl criticou o timing do anúncio da saída de Scolari, mas logo a seguir disse saber há muito que ele ia embora. Então porque não escolheu ele o timing, como fez a Holanda, quando assumiu que Van Basten vai treinar o Ajax?
O que fica mais da passagem de Scolari? A independência, para uns, a teimosia, para outros. Demasiado pouco."
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hugo neves, 'crónicas na rede', 'record' online, 21 de junho:
"Sei que a maioria dos adeptos portugueses defende o contrário, mas Scolari já rumou ao Chelsea e eu não sinto quaisquer saudades ou desilusão por o treinador brasileiro ter deixado a Selecção Nacional. Senti desilusão sim, quando perdemos a final do Europeu contra a Grécia da mesma maneira que perdemos o jogo de abertura (e Scolari estava cá); desilusão por perder com a França nas meias-finais do Mundial’2006 devido às teimosias de Scolari; e por sair do Euro’2008 nos quartos-de-final depois de levar um banho táctico da Alemanha e ter falhas inconcebíveis para uma equipa que se dizia estar a lutar para o título europeu."