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Terça-feira, Julho 08, 2008

só mudaram algumas, poucas, moscas

em 30 de agosto de 2002, numa colaboração efémera que mantive no 'jornal de notícias', escrevia na sequência das 'palhaçadas' que envolveram a participação da 'selecção nacional' no mundial da 'coreia/japão':

"Ao longo de todos estes anos sempre, coerentemente, defendi que o Governo não devia intrometer-se no movimento associativo. Teria que ser sempre este a encontrar, no debate colectivo interno, sem condicionalismos ou restrições, as soluções que lhe permitissem ultrapassar as dificuldades que fossem surgindo.
Na ressaca da tristíssima participação da Selecção Nacional no Mundial da Coreia (sem Japão) esta minha firme convicção de muitos anos começou a abanar.
Como muitos ateus, invocando Santa Bárbara debaixo da intensa trovoada, tive a minha primeira fraqueza no passado dia 13 de Julho, quando entrevistado por um diário desportivo, (con)cedi : “Percebo que o Governo diga que não interfere no movimento associativo, e não deve interferir, mas o Governo não deve demitir-se de uma magistratura de influência.”
Entre os milhões de portugueses que não esconderam a sua frustração na tarde de 14 de Junho, após a derrota com a República da Coreia, um houve, que tendo assistido ao jogo na Praça Sony, em Lisboa, disse e cito a imprensa escrita do dia seguinte: “ (faço votos) para que os erros cometidos pela selecção portuguesa não venham a ser repetidos no Euro 2004 que Portugal organiza”. O autor do desabafo, que poderia ter sido proferido por milhares de outros portugueses, foi o cidadão José Luis Arnaut.
Quando, passadas duas semanas, o ministro-adjunto, com a tutela do desporto, José Luis Arnaut, convocou o presidente da FPF para lhe ‘dar um puxão de orelhas como foi largamente divulgado por todos os ‘media’ nacionais retomei este meu debate interno.
Deve o governo interferir?... Não! O ‘futebol é que, no seu seio, tem de ser capaz de arrumar a casa. Mas este ’futebol’ será capaz do tal debate interno, sério, sem restrições de que lhes falei antes? Não é. Infelizmente não é. Por tudo o que temos assistido e que me abstenho, de momento, de reenumerar."


hoje, passados quase seis anos sobre essa data, ao saber da intenção do senhor secretário de estado que tutela o desporto de se encontrar com o presidente da 'federação', para, ainda segundo as mesmas notícias, ser 'brifado' sobre o que se terá passado na passada sexta feira (este não estava na lua nem em marte mas em macau...) recordei-me do que então tinha escrito.
quase diria que basta mudar o nome da 'mosca', que intervém do lado do governo, porque a merda, sendo outra, continua a ser feita pelos mesmos.

Segunda-feira, Julho 07, 2008

hoje escrevo eu

" os incidentes que se verificaram em redor do último plenário do chamado 'conselho de justiça', da 'federação portuguesa de futebol', na passada sexta-feira, têm sido arrastados, mal na minha óptica, para o terreno sempre árido e poluído da paixão clubística onde, como acontece à mais linda flor, a discussão perde o viço e a razão fenece.
todos nós, os que gostamos e nos preocupamos com a causa do futebol, deveríamos sim, aproveitando a oportunidade e chamando 'os bois pelo nomes verdadeiros', clamar por uma urgente e imprescindível varridela que torne o ambiente, envolvendo as coisas ‘da bola’ nacional, mais séptico e respirável.

eu - como muitos outros – a quem preocupa muito pouco ou nada em que 'liga' 'boavista' e 'paços de ferreira' jogarão a partir do próximo mês de agosto, que me é indiferente se o 'vitória de guimarães' entra directo na 'champions' ou o 'benfica' senta ou não lá o rabo, por troca com o 'fc do porto', para além de todos os demais efeitos de carambola que se possam vir a verificar, quero é saber como é que o legislador vai conseguir afastar do dirigismo desportivo pessoas que são intelectual e éticamente profundamente desonestas, como este tristíssimo caso revelou à saciedade.
é que, e independente dos escrutínios técnico-jurídicos que estejam e possam vir a ser feitos às atitudes que as duas 'metades' do mais alto orgão administrador de justiça do futebol português, os dois que se vieram embora e os cinco que lá ficaram, uma delas pelo menos está podre.
qual delas?...
como já o escrevi antes, no meu blogue, é o que menos interessa de momento.

abordemos então a origem do problema e, daí, a maneira imediata de minorá-lo.
por que é que gilberto madail (e hermínio loureiro), ao momento em que escrevo e quase passadas 48 horas sobre a ‘golpada do conselho de justiça’, continua calado?...
pela simples razão que ele, para assegurar os votos necessários à sua eleição, foi obrigado a negociar e a, por último, aceitar e ser solidário com quase todos os nomes que lhe eram impingidos, avulso e sem critério, pelas ‘associações regionais’, incluindo estes.
por isso, quando as coisas dão para o torto, repetem a frase: ‘é área onde não posso intervir!...como quem diz, ‘eu nem os conheço!’…

senhor secretário de estado do desporto, que não se lhe trave a mão na promulgação e aplicação da nova lei que regulamentará o associativismo desportivo.
é que aquilo a que temos vindo a assistir nos últimos tempos não o envergonha só a si.
envergonha-nos a todos."

(opinião por mim assinada, pág.2, '24 horas')

Quarta-feira, Julho 02, 2008

diz quem muito bem sabe

o professor jorge araújo entrevistado pelo jornal 'a bola':

(foto de 'a bola')

"Em 1999, Jorge Valdano lançou a Make a Team, a sua ideia era passar para bancos, seguradoras, empresas de novas tecnologias, lições que foi aprendendo nos campos de futebol...


— Já lá não está, vendeu a sua participação, mas a Make a Team não fazia bem aquilo que nós estamos a fazer. Intervinha na área das empresas, com a sua experiência de jogador, de treinador, eu fui buscar as nossas referências aos Estados Unidos, a Team Work Consultores faz diferente: replica no mundo das empresas o treino de pessoas e equipas na área comportamental em geral, aborda as questões da liderança, o modo de se dirigirem equipas, de se trabalhar com maior ou menor coesão...

— A empresa como microcosmo do estádio, do pavilhão...

— Exacto. E em ambos os mundos do que se trata é de pessoas. E quer no desporto de alto rendimento, quer nas empresas, há quatro factores em jogo: o líder; a equipa, os seus membros, as suas relações, o que cada um vale, como é que cada um se relaciona com os outros; o objectivo comum, o resultado, a meta; e o meio-ambiente, que é tudo o que está à volta das equipas, factor que tem cada vez mais influência tremenda. Quem viu o que aconteceu no Espanha-Rússia não foi capaz de identificar a Rússia que jogou contra a Holanda. O que é que mudou? O meio ambiente! Lembra-se de na véspera do desafio com os espanhóis, Guus Hiddink ter dito que os empresários andavam todos à volta da grande maioria dos seus jogadores, que respeitava a sua liberdade individual, que não tinha forma de impedi-lo? Pois, foi essa mudança no meio ambiente que alterou drasticamente o resultado. A equipa russa que jogou contra a Holanda uniu-se à volta de um objectivo comum, de uma liderança determinada, a que que jogou contra a Espanha já não era a mesma, sendo a mesma. Sim, os corpos dos jogadores eram os mesmos, as mentes não eram, deixaram de estar focadas no resultado da selecção, passaram a estar focadas nas suas vidas particulares... Ou seja, a criação do objectivo comum, que é um dos factores que nós na Team Work ajudamos a criar aos nossos clientes , desapareceu em três dias nos russos, deu no que deu...
Scolari, corte e mágoa

— Quase se poderia dizer o mesmo de Portugal, do anúncio abrupto da saída de Scolari para o Chelsea...

— Sim, julgar que essa notícia não teve importância nenhuma é mistificar a realidade. Isso lesou profundamente o grupo. OK, os jogadores afirmaram não ficar perturbados, era o que lhes competia, fizeram-no muito bem. Só que, como explicou, depois, na TSF uma socióloga que fez estudos sobre o Euro-2004 e o Euro-2008 a partir de inquéritos aos adeptos com aquele anúncio houve cortes trágicos, o corte de confiança, o corte da identificação - e a mágoa, mágoa por se sentirem relativamente perdidos todos aqueles que souberam assim que alguém com quem estavam tão identificados afinal decidira ir embora...

— Luís Aragonés fez o mesmo e a Espanha acabou campeã da Europa...

— Só que coisas assim têm um efeito muito maior quando o líder está tão profundamente identificado com o grupo e no caso da Espanha o clima entre os jogadores não estava, como estava no caso de Portugal, no plano da idolatria, do reconhecimento absoluto da liderança. Olhe, por exemplo, ao ver toda a gente apegada à ideia de que foram os substitutos que levaram à apatia da nossa selecção contra a Suíça para dentro de campo, na minha cabeça repercutiu de imediato a convicção de que se lá estivessem os titulares teria acontecido o mesmo. Lembra-se do Euro-2004: quando o senhor, em conferência de imprensa jurou que só queria pensar na selecção, que ninguém se atrevesse a fazer-lhe convites, que o Benfica nunca mais?! O que aconteceu então foi o contrário ao que aconteceu agora: suas palavras foram um impulso de coesão, a tal lógica do objectivo comum, está a ver?!...

Empresários no hotel...

— Nesse sentido talvez tenha sido ainda mais devastadora a liberdade de circulação de empresários no hotel da selecção, Deco fazendo viagem-relâmpago para se libertar do Barcelona, enfim...

— Os empresários dos jogadores pensam nos interesses particulares dos jogadores, incrementam-nos, retiram a mente dos jogadores do objectivo comum e colectivo para o objectivo particular. OK, os jogadores têm direito à sua liberdade individual, mas o treinador tem o direito de procurar o mais possível obstar a que esses interesses individuais se sobreponham aos interesses colectivos. E se eu sei, como todos sabemos, que se a presença de empresários é nociva dessa concentração no interesse comum, o treinador tem de impedir que tal aconteça, que eles lá estejam. Posso estar a especular, mas será que o desaparecimento de alguns jogadores russos contra a Espanha não teve a ver com o facto de, depois de ganharem à Holanda, as suas cabeças se concentraram apenas nos astronómicos contratos que lhes foram propostos? Querem-me dizer a mim, que treinei equipas durante 36 anos, que não passa por alguns dessas cabeças a ideia perversa de que se eu meto mal o pé e parto a perna lá se vai o meu airoso futuro?!...

— Nos milhões do Real pode, então, estar também a justificação para o facto do Ronaldo do Manchester não ter aparecido no Euro?

— Não quero pessoalizar questões, mas o que acabei de dizer-lhe vale para tudo..."

de mal a muito pior

o afundamento do mercado mobiliário português seria menos grave se o que aconteceu ontem fosse um episódio e não a clara manifestação de uma 'maleita' profunda que o tempo próximo só tenderá a agravar.
a crise está instalada e continuará a acentuar-se. tentar dourar esta 'pílula' amarga por parte da nossa classe política deixa de ser rídiculo e passa a ser criminoso!
é um facto que estamos bem acompanhados na 'desgraça': a europa, os estados unidos e os mercados asiáticos emergentes não conseguem encontrar resposta para a subida incontrolável do preço do petróleo não sendo, por isso, de esperar quaisquer milagres vindos desses lados em nossa ajuda.
o futebol europeu também já está a responder de acordo com o panorama recessivo global pelo que as, até há bem pouco tempo, cláusulas de rescisão de 40 milhões para ricardo quaresma ou de 30 milhões para miguel veloso, deixaram de ter qualquer sentido da realidade. se os querem despachar que o façam rapidamente e com bastante flexibilidade negocial.
para a semana seguinte, próximo mês ou ano que vem, os valores pedidos só poderão vir a baixar. significativamente.

Terça-feira, Julho 01, 2008

condenados a entenderem-se?

atravessamos um período de vacatura na liderança da selecção nacional que obriga duas pessoas, gilberto madail e carlos queirós, que se conhecem muito bem uma à outra, a encontrarem-se e falarem sobre um possível acordo.
e isto por uma simples razão, é que não se vislumbram, na conjuntura do possível, muitas mais alternativas às duas partes.
e é aí que reside, precisamente, a dificuldade do 'negócio'.
nem os portugueses perceberiam a razão pela qual queirós não seria o primeiro convidado; nem porque, uma vez convidado, este não aceitaria o cargo.
logo, um acordo rodeado de todos os ingredientes para não poder falhar!
a realidade diz-me que que as conversações não serão tão fáceis, assim. sobretudo para o lado do treinador.
quando o adjunto de alex ferguson contrabalançar, num prato da linda 'escala' dourada, o seu enorme querer (já bastante antigo) de ser o responsável máximo da equipa portuguesa, contra a dura realidade que lhe grita aos ouvidos: 'vais ter a 'merda' da saída de 93 assoprada em todos os ventiladores da nação; 'vais perder a chance de ser o teinador principal de um dos maiores clubes do mundo, o 'manchester united'; 'vais, no fundo, trocar o certo pelo incerto'..., nessa altura, nesse momento da verdade, do sim ou do não, receio que a racionalidade prevaleça e que o doutor madail tenha que ir pregar os seus enormíssimos dotes para outra freguesia.
oxalá me engane.

aimar, aimar...há ir e voltar

" E se nós, portistas, vivemos todos os «defesos» com o credo na boca, no terror de abrirmos o jornal de manhã e verificar que lá venderam mais uma das jóias da Coroa, a compensação que temos é a de seguir a época de aquisições do Benfica.

Nunca um pobre fez tão tristes figuras de novo-rico como o Benfica faz todos os anos. E este ano, apesar de Rui Costa ser de outra categoria e outros hábitos, aquele estilo grandiloquente já está de tal maneira entranhado nos procedimentos da casa, que tudo tem seguido o roteiro habitual:
— primeiro e em grandes parangonas, anuncia-se que o Benfica está interessado em algum grande jogador da categoria B (a categoria B é a dos que têm nome internacional mas não jogam nos respectivos clubes);
— passados uns dias, aparece o jogador em causa, o empresário, o pai, o vizinho de infância ou o canário, a jurarem que ele está entusiasmado com a hipótese de ir para o Benfica;
— passados mais uns dias, dá-se conta de que o Benfica já apresentou uma proposta pelo jogador e que só falta «limar algumas arestas com o clube»;
— mais uns dias, e os adeptos benfiquistas são informados de que «já há acordo pleno com o jogador»;
— no dia seguinte, inesperadamente, descobre-se que há um terceiro clube que também está interessado no jogador, mas que o Benfica já tem uma alternativa preparada para o caso de as negociações falharem;
— oh…o homem fugiu mesmo para o tal terceiro clube e, aparentemente, não foi triste. Avança, então, o nome da alternativa: um jogador de categoria C (a categoria C corresponde a um jogador que ninguém sabe quem é, mas que Pelé garantiu que era um novo Maradona ou Maradona garantiu que era um novo Pélé);
— anuncia-se que o Benfica, «agindo rapidamente e adiantando-se à concorrência», garantiu a aquisição do novo Pélé;
— o novo Pelé desembarca em Lisboa e, de voz própria ou através do seu empresário, trata lugar de jurar que o FC Porto também tinha tentado contratá-lo, mas que ele preferiu o Benfica.
Não tardará a perceber-se porquê."

(miguel sousa tavares, excerto da 'nortada' de hoje, em 'a bola')


podemos não gostar do ar do homem, ou daquilo que escreve, mas concordemos que ele, muitas das vezes, consegue uns 'retratos' com piada.

Segunda-feira, Junho 30, 2008

quem te manda a ti sapateiro...

"Rui Moreira (Porto, 1956) é um empresário e dirigente associativo português.
Frequentou o Colégio Alemão do Porto e licenciou-se em gestão pela Universidade de Greenwich, em Londres, em 1978.
Empresário com interesses diversificados, nomeadamente na área dos transportes marítimos e no sector imobiliário, principalmente fora de Portugal Rui Moreira é membro do senado da Universidade do Porto e, desde 2001, presidente da Associação Comercial do Porto[1], sediada no Palácio da Bolsa, em pleno Centro Histórico do Porto[2]."
(perfil retirado da 'wikipedia')

tenho o maior respeito pelo cidadão rui moreira e posso acrescentar que são muito mais as vezes em que concordo com ele do que aquelas em que discordo. isto, evidentemente, a propósito dos seus frequentes comentários, escritos e falados, em diversos orgãos da comunicação, sobre as coisas da bola.
agora em matéria do exclusivo foro jurídico a sua opinião é tão abalizada quanto a do zé dos anzóis, a minha ou a do luís filipe vieira, ou seja, vale zero.

Sexta-feira, Junho 27, 2008

crónicas dos bons 'traidores' (2)

carlos daniel no 'record' de hoje:

" Há ainda outro ditado que me preocupa por estes dias. O que diz que depois de mim virá quem bom de mim fará. Muitos dos que pensam que Scolari foi o homem que mudou a historia da Selecção acreditam nisso. Estarão errados, duas vezes, se a Federação ceder à água mole das opiniões publicadas e escolher Carlos Queiroz. Porque este é claramente mais competente do ponto de vista técnico-táctico do que o antecessor (qualquer jogador que tenha trabalhado com ambos o diz, se bem que apenas em privado) e porque Queiroz, ele sim, mexeu com a história do futebol português de forma profunda e revolucionária. Dir-me-ão que também é preciso que Queiroz queira vir. É verdade. Mas acredito que, aos 55 anos, também ele sente que lhe falta cumprir, na Selecção, uma parte do seu destino. sei no entanto, porque não sou ingénuo, que mais importante do que a vontade de Queiroz será a vontade manifestada pela Federação para o trazer. Aí não se pode ser água mole mas vontade firme."

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contraponho um excerto da diatribe anti queiroz, assinada por joão querido manha, no 'record' de 24 de junho:

" Uma semana deu para serenar as hostes e avançar para o precipício: fala-se desabridamente do salvador messiânico poder regressar ao ponto onde renegou as selecções nacionais para encetar uma carreira de enormes conquistas nos quatro continentes. Não pareceria normal que uma Federação, inoperante, desorganizada, falida e politicamente correcta, se pudesse reencontrar, tantos anos mais tarde, com quem era suposto ter lá estado a desenvolvê-la, organizá-la, enriquecê-la e estimulá-la - mas talvez a salvação da pátria possa justificar o que a razão desaconselha. Ao futuro seleccionador estão a ser imputadas responsabilidades que excedem largamente as competências de um treinador normal e a promessa de Madaíl de contratar alguém 'que pode não ter ganho nada mas é um vencedor' parece o retrato à la minute do próprio Carlos Queiroz."

Quarta-feira, Junho 25, 2008

à volta do seleccionador

" O sucessor de Scolari deve ter como responsabilidade estrita a gestão da equipa nacional e os seus resultados. A tese de que o futebol português precisa de um novo projecto Carlos Queiroz, que aliás nunca existiu a não ser no papel, é sobretudo romanesca, se não mesmo infantil. A responsabilidade da tutela do futebol jovem tem de existir no âmbito de uma direcção técnica, e esta não pode estar sujeita aos resultados da equipa principal. Juntar as duas tarefas num mesmo homem já seria um erro colossal.

Quanto ao resto, Madaíl só tem de despachar-se - e, sobretudo, seguir o seu instinto. Se há coisa que tem a ver com o sucesso do presidente da FPF, essa é a escolha solitária e convicta do seleccionador nacional."
(do editorial do 'dn', hoje)

pegando na parte final do editorial do 'diário de notícias', que julgo da responsabilidade de joão marcelino, gostaria de dizer, começando pelo fim, o seguinte:
concordo inteiramente que a escolha do selecionador é um processo solitário do presidente da 'fpf' e, posteriormente, solidário, por parte de toda a direcção e estrututa executiva, com a escolha feita.
quanto à tese 'romanesca, se não mesmo infantil' de que o seleccionador nacional deverá ser o topo da estrutura técnica, de toda a 'federação', com supervisão e acompanhamento permanente de toda a pirâmide desportiva, da base ao topo, já a defendi, nos finais de noventa.
a experiência e, por que não, a distância dizem-me, e aí volto a partilhar da opinião do editorialista, que o seleccionador da equipa 'a' se deverá em exclusivo a ela dedicar, mas...
sujeito a uma política desportiva vertical, integradora dos diversos estádios, da 'formação' à 'transição', comandada por quem tivesse o perfil de 'treinador dos treinadores' ou, se quiserem, por um 'director técnico nacional'.

Terça-feira, Junho 24, 2008

sem acentos mas com pontos nos ii

ainda handicapado nao devo protelar uma nota, embora curta, sobre a dicotomia em voga nas ultimas horas entre um novo seleccionador nacional com preocupacoes de verticalizao e responsabilidade sobre toda a estrutura, tipo carlos queiroz, ou, no polo oposto, alguem bom mas exclusivamente dedicado a seleccao 'a' como um hiddink.
recordo o que o pratico toni disse ao teorico freitas lobo, na madrugada de segunda feira na 'rtp' norte: luis o que tu precisas e de um 'director tecnico nacional', como existe em franca!
voltarei.

Segunda-feira, Junho 23, 2008

vai-te embora melga!

" (para gilberto madail) as culpas do fracasso no 'mundial da coreia' foram dos jogadores, do treinador e do vice-presidente (que era o 'je') "
(rui santos no 'tempo extra' da sic notícias)

estou a pensar deixar de ouvir - e ver - o rui santos.
primeiro porque ele diz, no essencial, o que eu já disse.
depois porque a maneira como ele diz o que eu já tinha dito leva as pessoas que concordariam, facilmente, com aquilo que eu disse a discordarem daquilo que ele diz e que eu já tinha dito.

Domingo, Junho 22, 2008

crónicas dos bons 'traidores' (1)

[sob este título publicarei na íntegra os textos, sempre que não exista 'link' ou que o mesmo seja reservado a assinantes, ou deixarei 'ligação' para 'opiniões' com as quais, nas suas traves mestras, concorde.
o único propósito é que não se cometam erros futuros a partir de apreciações enviesadas de um passado recente.]
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bruno prata, no 'público' de 21 de junho:

"O Scolari de sempre

A participação de Portugal no Europeu mostrou alguma falta de maturidade, mas também as insuficiências de Scolari, designadamente do ponto de vista táctico. Nos cinco anos e meio que o brasileiro esteve à frente da selecção, Portugal não conseguiu vencer nenhum adversário verdadeiramente da primeira linha mundial nas três fases finais em que participou.
A única excepção foi, de alguma forma, a Holanda, que Portugal bateu nas meias-finais do Euro 2004. Mas isso também foi conseguido por outros seleccionadores (Carlos Queiroz, Artur Jorge, Humberto Coelho e António Oliveira), sinal claro de que o futebol português fica confortável nos duelos com a selecção "laranja".
Na fase final do Euro 2004, Portugal empatou nos quartos-de-final com a Inglaterra (embora passando na decisão por penáltis) e venceu a Holanda, já depois de se ter superiorizado à Rússia (adversário de segundo plano) e à Espanha (que tem falhado nos grandes momentos). Pior do que isso, perdeu duas vezes com a Grécia. De facto, os gregos são um bom exemplo de que Scolari raramente retira ensinamentos dos desaires: defrontou-os quatro vezes, incluindo os jogos particulares, e nunca lhes conseguiu ganhar.
No Mundial da Alemanha, Scolari tirou, mais uma vez, partido da felicidade que o acompanhou nos sorteios das provas, tanto nas qualificações como nas fases finais. Portugal começou por bater a Angola, o Irão e o México, na fase de grupos. Esta última é uma selecção remediada, as outras nem isso. Confirmou, de seguida, a tendência histórica para os triunfos sobre a Holanda, para depois voltar a empatar com a Inglaterra (eliminada novamente na lotaria dos penáltis). Acabou afastado nas meias-finais pela França, sempre um osso duro de roer para Portugal. Na atribuição do terceiro e quarto lugares, foi derrotada pela Alemanha, que, embora beneficiando do factor casa, fazia uma espécie de travessia no deserto.
Portugal saiu prematuramente do Euro 2008, após voltar a ser batido pelos germânicos e se ter superiorizado, na primeira fase, a equipas medianas como a Rep. Checa, Turquia e Suíça. O balanço final foi, no máximo, sofrível, designadamente se levarmos em conta que Portugal tem hoje alguns dos melhores craques mundiais. Mesmo com um Ronaldo desgastado e com uma lesão (ver notícia ao lado), poucas vezes terá tido na sua história tantos jogadores de qualidade extra - deixar Maniche de fora e levar o irmão dele só para animar as hostes foi um disparate com custos difíceis de avaliar.
Scolari nunca teve, por exemplo, um Deco num momento de forma tão extraordinário. Nem um conjunto de centrais ou de extremos que faz inveja a qualquer selecção. A falta de um ponta-de-lança é um problema real, mas podia ter sido resolvido colocando Ronaldo ao meio, até porque abriria lugar a um Nani que fez mais do que o merecer. Isso impunha-se anteontem, onde também não teria sido mal vista a aposta em Bruno Alves (até para que o jogo aéreo de Pepe pudesse ser rentabilizado no miolo e nos problemáticos lances de bola parada). Ok, continuaria a existir o problema na baliza, onde Ricado mostrou estar ao nível da "Liga dos Últimos", talvez o único sítio onde se vêem tantas saídas de olhos fechados. Para a história ficará o segundo lugar no Euro 2004 (disputado em Portugal, é bom lembrar, e beneficiando da herança de Mourinho) e o quarto no Mundial 2006. Mas o que fica mais da passagem de Scolari por Portugal? A independência, para uns, a teimosia, para outros. Demasiado pouco.

P.S. Gilberto Madaíl criticou o timing do anúncio da saída de Scolari, mas logo a seguir disse saber há muito que ele ia embora. Então porque não escolheu ele o timing, como fez a Holanda, quando assumiu que Van Basten vai treinar o Ajax?
O que fica mais da passagem de Scolari? A independência, para uns, a teimosia, para outros. Demasiado pouco."

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hugo neves, 'crónicas na rede', 'record' online, 21 de junho:

"Sei que a maioria dos adeptos portugueses defende o contrário, mas Scolari já rumou ao Chelsea e eu não sinto quaisquer saudades ou desilusão por o treinador brasileiro ter deixado a Selecção Nacional. Senti desilusão sim, quando perdemos a final do Europeu contra a Grécia da mesma maneira que perdemos o jogo de abertura (e Scolari estava cá); desilusão por perder com a França nas meias-finais do Mundial’2006 devido às teimosias de Scolari; e por sair do Euro’2008 nos quartos-de-final depois de levar um banho táctico da Alemanha e ter falhas inconcebíveis para uma equipa que se dizia estar a lutar para o título europeu."

(na totalidade, aqui)

Sábado, Junho 21, 2008

pode ser que ele, hoje, se engane

carlos queiroz escrevia em vésperas do início do 'europeu' (no 'record' de 6 de junho):
"assalta-me a sensação de que não haverá grandes motivos para que este 'campeonato da europa de futebol' fique na memória dos adeptos, à excepção obviamente daqueles que, no final, irão celebrar o título."
já devidamente instalado para assistir ao 'holanda-rússia' acredito - neste soberbo final de tarde - que esta partida possa contrariar a previsão de cq colada ao 'euro 2008'.
para facilitar um bom andamento do espectáculo desportivo, vou acompanhá-lo de uns excelentes carapaus de escabéche!

os modernos e ricos gladiadores


a questão que se põe quando é tornado público que cristiano ronaldo jogou futebol nos últimos três meses, a um nível exigentíssimo, 'liga inglesa', 'champions' e 'euro 2008', com uns ossinhos partidos no pé direito é a de sabermos se é deontológica e eticamente aceitável que as equipas médicas e técnicas, sabedoras do assunto, as primeiras autorizem e as segundas...utilizem.
desde logo as do, por enquanto, patrão do jogador, 'manchester united'. mas também as da selecção nacional.
já claramente entrados no século vinte e um parece-me que a primeira preocupação deveria ser a de salvaguardar a integridade física da pessoa em detrimento dos interesses das pessoas...e dos espectáculos.

Sexta-feira, Junho 20, 2008

perguntas e resposta

na opinião que assina hoje no 'record', rui santos deixa treze perguntas a gilberto madail.
estou em crer que a todas elas o presidente da 'fpf' responderá da mesma maneira. e sempre para o mesmo sítio.

Quinta-feira, Junho 19, 2008

não há maior cego do que o que não quis ver

há bater num céguinho e bater no céguinho.
dizer que ricardo - um céguinho - era um guarda-redes em crise, creio que quase toda a gente o tinha dito, até eu!, em portugal e fora dele. desde há muito tempo, aliás.
portanto é muito injusto estar a criticá-lo neste momento.
eu, por mim, prefiro bater no céguinho, aquele que por teimosia pura e pelo facto de ser, obviamente, 'invisual', para o que e quando lhe convém, não quis aceitar essa realidade a tempo e horas.
há quatro anos, perder o primeiro jogo com a 'grécia', aceitava-se.
perder o segundo, não!
hoje, ter sofrido o segundo golo de bola parada, aceitava-se.
sofrer o terceiro, a papel químico do anterior, não!

o deputado da nação

"que me desculpem, mas com frontalidade e sinceridade entendo que não é a hora de termos um 'português de portugal' a liderar a nossa selecção"
(feliciano barreiras duarte, deputado do psd, no 'record')

que me desculpe o senhor deputado, mas com frontalidade e (alguma) sinceridade, após a fuga do barroso, o desastre do santana, a pequenez (política, entenda-se) do mendes e a desistência do meneses, não entende que em vez de terem escolhido uma 'portuguesa de portugal', fragilizada por eleita com pouco mais de um terço dos votos, por estar disponível e ser social-democrata de direita, não teria sido antes a hora de terem optado por um nome como o de tony blair?...
meu caro, que um português normal, com todos os defeitos genéticos que lhe são reconhecidos, faça recaír a sua escolha para futuro seleccionador de portugal no zico ou no luxemburgo, percebe-se. agora que o senhor, um deputado da nação, símbolo da perfeição e depositário da pouca réstia de esperança que existe no coração tuga de que venhamos a ter melhores dias, proponha um estrangeiro para esse cargo, assenta-lhe muito mal.
se duvida do que lhe digo, pergunte ao manuel josé...

Quarta-feira, Junho 18, 2008

de uma vez por todas

" E até que ponto resistirá a Selecção portuguesa à saída de um treinador tão carismático e marcante como Scolari?
O passado recente, pré-Scolari, em que a Selecção vivia contaminada pela influência dos poderes intalados no futebol doméstico e sob pressão de dirigentes e empresários, não augura nada de bom. E desaconselha...(por aí fora, o disparate continua...)"

(josé antónio lima, 'canto directo' em ' a bola')

jal repete uma mentira, que vários continuam a afirmar à exaustão, de modo a que a mesma se transforme em verdade oficial.
é completamente falso o que ele (e outros) têm afirmado neste sentido!!!...
eu que chefiei as 'selecções nacionais', nos tempos em que os vice presidentes desportivos não abdicavam das suas funções institucionais e estatutárias e - 'pour cause' - entrei em rotura, como é do conhecimento público, com humberto coelho e antónio oliveira, embora as razões das divergências com o primeiro nunca tenham sido tornadas públicas, tenho a obrigação de reafirmar que nunca, por nunca, assisti a qualquer subserviência das 'sn's' a dirigentes e empresários, por parte desses dois treinadores. nem - acrescente-se - de jesualdo ferreira.
se alguém entrou numa área de (de)pendência com um clube, um poder regional ou um dirigente, como foi no caso 'vítor baía', ou, pelo que se passou recentemente no relacionamento, aparentemente concupisciente,
com o empresário jorge mendes, deco mais lui-même, esse senhor chama-se luís filipe scolari.
seria bom que os 'jal's, e outros que por cá andam, escrevendo (e falando) do que não sabem, começassem por explicitar determinadas 'verdades' que usam e abusam na defesa das suas damas de ocasião.

Segunda-feira, Junho 16, 2008

é verdade, já me ia esquecendo...

então a que conclusão, ou conclusões, chegaram todos aqueles que ontem, antes do portugal-suiça, diziam que a partida também seria um teste à maneira como os 'mininos' estariam a reagir ao anúncio da saída de scolari. o teste, afinal, deu positivo?...ou, antes, pelo contrário, não deu em nada, como seria o mais provável?...

os guardas-redes de scolari

sobre o actual, lothar matthaus considera Ricardo o elo mais fraco da equipa portuguesa e coloca o guarda-redes português sob pressão tremenda. «Ele hesita muito nos cruzamentos e na maior parte das vezes acaba por comprometer a equipa, é quase normal sair em falso...» (em 'a bola').
quanto ao futuro, petr cech, foi o que se viu, ontem.