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Quarta-feira, Julho 02, 2008

diz quem muito bem sabe

o professor jorge araújo entrevistado pelo jornal 'a bola':

(foto de 'a bola')

"Em 1999, Jorge Valdano lançou a Make a Team, a sua ideia era passar para bancos, seguradoras, empresas de novas tecnologias, lições que foi aprendendo nos campos de futebol...


— Já lá não está, vendeu a sua participação, mas a Make a Team não fazia bem aquilo que nós estamos a fazer. Intervinha na área das empresas, com a sua experiência de jogador, de treinador, eu fui buscar as nossas referências aos Estados Unidos, a Team Work Consultores faz diferente: replica no mundo das empresas o treino de pessoas e equipas na área comportamental em geral, aborda as questões da liderança, o modo de se dirigirem equipas, de se trabalhar com maior ou menor coesão...

— A empresa como microcosmo do estádio, do pavilhão...

— Exacto. E em ambos os mundos do que se trata é de pessoas. E quer no desporto de alto rendimento, quer nas empresas, há quatro factores em jogo: o líder; a equipa, os seus membros, as suas relações, o que cada um vale, como é que cada um se relaciona com os outros; o objectivo comum, o resultado, a meta; e o meio-ambiente, que é tudo o que está à volta das equipas, factor que tem cada vez mais influência tremenda. Quem viu o que aconteceu no Espanha-Rússia não foi capaz de identificar a Rússia que jogou contra a Holanda. O que é que mudou? O meio ambiente! Lembra-se de na véspera do desafio com os espanhóis, Guus Hiddink ter dito que os empresários andavam todos à volta da grande maioria dos seus jogadores, que respeitava a sua liberdade individual, que não tinha forma de impedi-lo? Pois, foi essa mudança no meio ambiente que alterou drasticamente o resultado. A equipa russa que jogou contra a Holanda uniu-se à volta de um objectivo comum, de uma liderança determinada, a que que jogou contra a Espanha já não era a mesma, sendo a mesma. Sim, os corpos dos jogadores eram os mesmos, as mentes não eram, deixaram de estar focadas no resultado da selecção, passaram a estar focadas nas suas vidas particulares... Ou seja, a criação do objectivo comum, que é um dos factores que nós na Team Work ajudamos a criar aos nossos clientes , desapareceu em três dias nos russos, deu no que deu...
Scolari, corte e mágoa

— Quase se poderia dizer o mesmo de Portugal, do anúncio abrupto da saída de Scolari para o Chelsea...

— Sim, julgar que essa notícia não teve importância nenhuma é mistificar a realidade. Isso lesou profundamente o grupo. OK, os jogadores afirmaram não ficar perturbados, era o que lhes competia, fizeram-no muito bem. Só que, como explicou, depois, na TSF uma socióloga que fez estudos sobre o Euro-2004 e o Euro-2008 a partir de inquéritos aos adeptos com aquele anúncio houve cortes trágicos, o corte de confiança, o corte da identificação - e a mágoa, mágoa por se sentirem relativamente perdidos todos aqueles que souberam assim que alguém com quem estavam tão identificados afinal decidira ir embora...

— Luís Aragonés fez o mesmo e a Espanha acabou campeã da Europa...

— Só que coisas assim têm um efeito muito maior quando o líder está tão profundamente identificado com o grupo e no caso da Espanha o clima entre os jogadores não estava, como estava no caso de Portugal, no plano da idolatria, do reconhecimento absoluto da liderança. Olhe, por exemplo, ao ver toda a gente apegada à ideia de que foram os substitutos que levaram à apatia da nossa selecção contra a Suíça para dentro de campo, na minha cabeça repercutiu de imediato a convicção de que se lá estivessem os titulares teria acontecido o mesmo. Lembra-se do Euro-2004: quando o senhor, em conferência de imprensa jurou que só queria pensar na selecção, que ninguém se atrevesse a fazer-lhe convites, que o Benfica nunca mais?! O que aconteceu então foi o contrário ao que aconteceu agora: suas palavras foram um impulso de coesão, a tal lógica do objectivo comum, está a ver?!...

Empresários no hotel...

— Nesse sentido talvez tenha sido ainda mais devastadora a liberdade de circulação de empresários no hotel da selecção, Deco fazendo viagem-relâmpago para se libertar do Barcelona, enfim...

— Os empresários dos jogadores pensam nos interesses particulares dos jogadores, incrementam-nos, retiram a mente dos jogadores do objectivo comum e colectivo para o objectivo particular. OK, os jogadores têm direito à sua liberdade individual, mas o treinador tem o direito de procurar o mais possível obstar a que esses interesses individuais se sobreponham aos interesses colectivos. E se eu sei, como todos sabemos, que se a presença de empresários é nociva dessa concentração no interesse comum, o treinador tem de impedir que tal aconteça, que eles lá estejam. Posso estar a especular, mas será que o desaparecimento de alguns jogadores russos contra a Espanha não teve a ver com o facto de, depois de ganharem à Holanda, as suas cabeças se concentraram apenas nos astronómicos contratos que lhes foram propostos? Querem-me dizer a mim, que treinei equipas durante 36 anos, que não passa por alguns dessas cabeças a ideia perversa de que se eu meto mal o pé e parto a perna lá se vai o meu airoso futuro?!...

— Nos milhões do Real pode, então, estar também a justificação para o facto do Ronaldo do Manchester não ter aparecido no Euro?

— Não quero pessoalizar questões, mas o que acabei de dizer-lhe vale para tudo..."

crónicas dos bons 'traidores' (3)

(fifa ranking, dez 98 a jul 08, clicar para +)

encerrado o ciclo luís filipe scolari recordo o registo da última década da 'selecção nacional principal', iniciado em dezembro de 1998, quando tomei posse como vice presidente desportivo da 'fpf'.
a comparação a título meramente ilustrativo é feita com a 'espanha', novos campeões da europa, e regista o nosso melhor lugar de sempre, 4º., em abril de 2001, e o patamar mais alto entre julho de 2000 e julho de 2002.
portanto o seleccionador, campeão do mundo pelo brasil, trouxe-nos para o baú das medalhas um 2º. lugar no 'europeu' de lisboa, em 2004, e...mais nada.
nem melhor futebol, nem melhores registos no 'ranking' europeu e mundial, nem sucessos no futebol jovem.
convém, assente a poeira, que não nos percamos em excessos de linguagem. para isso nada melhor do que a frieza dos números.

Sábado, Junho 28, 2008

ind'agora a procissão vai no adro


chamando a atenção para a fácil irratibilidade de luís filipe scolari, trazendo para isso à colação texto e imagens referentes à agressão do, na altura, seleccionador de portugal ao sérvio dragutinovic, o 'daily mail' recomenda a john terry, frank lampard e mais todos os outros, que não se atrasem no dia do reinício dos trabalhos em 'stamford bridge', antecipado de uma semana por decisão do novo treinador dos 'blues'.
ainda a época não começou...

os timings de sempre

não sei se é mentira se é verdade que o senhor scolari procurou fazer o upgrade da já de si substancial maquia que lhe teria sido paga por uma instituição bancária portuguesa através do recurso a uma 'offshore'. se o fez não foi uma prova, exactamente, da sua tão apregoada solidariedade para com os 'mininos' portugueses, de todas as idades.
mas muito pior é a atitude conivente do banco que esteve envolvido na trafulhice. seja ele o banco que é 'nosso' ou o banco que é de uns outros que já foram nossos...governantes.
de qualquer maneira o 'timing' da descoberta também foi perfeito. como o foi o das tramóias apontadas a vale e azevedo.
sempre 'depois de'.

Sexta-feira, Junho 27, 2008

crónicas dos bons 'traidores' (2)

carlos daniel no 'record' de hoje:

" Há ainda outro ditado que me preocupa por estes dias. O que diz que depois de mim virá quem bom de mim fará. Muitos dos que pensam que Scolari foi o homem que mudou a historia da Selecção acreditam nisso. Estarão errados, duas vezes, se a Federação ceder à água mole das opiniões publicadas e escolher Carlos Queiroz. Porque este é claramente mais competente do ponto de vista técnico-táctico do que o antecessor (qualquer jogador que tenha trabalhado com ambos o diz, se bem que apenas em privado) e porque Queiroz, ele sim, mexeu com a história do futebol português de forma profunda e revolucionária. Dir-me-ão que também é preciso que Queiroz queira vir. É verdade. Mas acredito que, aos 55 anos, também ele sente que lhe falta cumprir, na Selecção, uma parte do seu destino. sei no entanto, porque não sou ingénuo, que mais importante do que a vontade de Queiroz será a vontade manifestada pela Federação para o trazer. Aí não se pode ser água mole mas vontade firme."

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contraponho um excerto da diatribe anti queiroz, assinada por joão querido manha, no 'record' de 24 de junho:

" Uma semana deu para serenar as hostes e avançar para o precipício: fala-se desabridamente do salvador messiânico poder regressar ao ponto onde renegou as selecções nacionais para encetar uma carreira de enormes conquistas nos quatro continentes. Não pareceria normal que uma Federação, inoperante, desorganizada, falida e politicamente correcta, se pudesse reencontrar, tantos anos mais tarde, com quem era suposto ter lá estado a desenvolvê-la, organizá-la, enriquecê-la e estimulá-la - mas talvez a salvação da pátria possa justificar o que a razão desaconselha. Ao futuro seleccionador estão a ser imputadas responsabilidades que excedem largamente as competências de um treinador normal e a promessa de Madaíl de contratar alguém 'que pode não ter ganho nada mas é um vencedor' parece o retrato à la minute do próprio Carlos Queiroz."

Domingo, Junho 22, 2008

crónicas dos bons 'traidores' (1)

[sob este título publicarei na íntegra os textos, sempre que não exista 'link' ou que o mesmo seja reservado a assinantes, ou deixarei 'ligação' para 'opiniões' com as quais, nas suas traves mestras, concorde.
o único propósito é que não se cometam erros futuros a partir de apreciações enviesadas de um passado recente.]
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bruno prata, no 'público' de 21 de junho:

"O Scolari de sempre

A participação de Portugal no Europeu mostrou alguma falta de maturidade, mas também as insuficiências de Scolari, designadamente do ponto de vista táctico. Nos cinco anos e meio que o brasileiro esteve à frente da selecção, Portugal não conseguiu vencer nenhum adversário verdadeiramente da primeira linha mundial nas três fases finais em que participou.
A única excepção foi, de alguma forma, a Holanda, que Portugal bateu nas meias-finais do Euro 2004. Mas isso também foi conseguido por outros seleccionadores (Carlos Queiroz, Artur Jorge, Humberto Coelho e António Oliveira), sinal claro de que o futebol português fica confortável nos duelos com a selecção "laranja".
Na fase final do Euro 2004, Portugal empatou nos quartos-de-final com a Inglaterra (embora passando na decisão por penáltis) e venceu a Holanda, já depois de se ter superiorizado à Rússia (adversário de segundo plano) e à Espanha (que tem falhado nos grandes momentos). Pior do que isso, perdeu duas vezes com a Grécia. De facto, os gregos são um bom exemplo de que Scolari raramente retira ensinamentos dos desaires: defrontou-os quatro vezes, incluindo os jogos particulares, e nunca lhes conseguiu ganhar.
No Mundial da Alemanha, Scolari tirou, mais uma vez, partido da felicidade que o acompanhou nos sorteios das provas, tanto nas qualificações como nas fases finais. Portugal começou por bater a Angola, o Irão e o México, na fase de grupos. Esta última é uma selecção remediada, as outras nem isso. Confirmou, de seguida, a tendência histórica para os triunfos sobre a Holanda, para depois voltar a empatar com a Inglaterra (eliminada novamente na lotaria dos penáltis). Acabou afastado nas meias-finais pela França, sempre um osso duro de roer para Portugal. Na atribuição do terceiro e quarto lugares, foi derrotada pela Alemanha, que, embora beneficiando do factor casa, fazia uma espécie de travessia no deserto.
Portugal saiu prematuramente do Euro 2008, após voltar a ser batido pelos germânicos e se ter superiorizado, na primeira fase, a equipas medianas como a Rep. Checa, Turquia e Suíça. O balanço final foi, no máximo, sofrível, designadamente se levarmos em conta que Portugal tem hoje alguns dos melhores craques mundiais. Mesmo com um Ronaldo desgastado e com uma lesão (ver notícia ao lado), poucas vezes terá tido na sua história tantos jogadores de qualidade extra - deixar Maniche de fora e levar o irmão dele só para animar as hostes foi um disparate com custos difíceis de avaliar.
Scolari nunca teve, por exemplo, um Deco num momento de forma tão extraordinário. Nem um conjunto de centrais ou de extremos que faz inveja a qualquer selecção. A falta de um ponta-de-lança é um problema real, mas podia ter sido resolvido colocando Ronaldo ao meio, até porque abriria lugar a um Nani que fez mais do que o merecer. Isso impunha-se anteontem, onde também não teria sido mal vista a aposta em Bruno Alves (até para que o jogo aéreo de Pepe pudesse ser rentabilizado no miolo e nos problemáticos lances de bola parada). Ok, continuaria a existir o problema na baliza, onde Ricado mostrou estar ao nível da "Liga dos Últimos", talvez o único sítio onde se vêem tantas saídas de olhos fechados. Para a história ficará o segundo lugar no Euro 2004 (disputado em Portugal, é bom lembrar, e beneficiando da herança de Mourinho) e o quarto no Mundial 2006. Mas o que fica mais da passagem de Scolari por Portugal? A independência, para uns, a teimosia, para outros. Demasiado pouco.

P.S. Gilberto Madaíl criticou o timing do anúncio da saída de Scolari, mas logo a seguir disse saber há muito que ele ia embora. Então porque não escolheu ele o timing, como fez a Holanda, quando assumiu que Van Basten vai treinar o Ajax?
O que fica mais da passagem de Scolari? A independência, para uns, a teimosia, para outros. Demasiado pouco."

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hugo neves, 'crónicas na rede', 'record' online, 21 de junho:

"Sei que a maioria dos adeptos portugueses defende o contrário, mas Scolari já rumou ao Chelsea e eu não sinto quaisquer saudades ou desilusão por o treinador brasileiro ter deixado a Selecção Nacional. Senti desilusão sim, quando perdemos a final do Europeu contra a Grécia da mesma maneira que perdemos o jogo de abertura (e Scolari estava cá); desilusão por perder com a França nas meias-finais do Mundial’2006 devido às teimosias de Scolari; e por sair do Euro’2008 nos quartos-de-final depois de levar um banho táctico da Alemanha e ter falhas inconcebíveis para uma equipa que se dizia estar a lutar para o título europeu."

(na totalidade, aqui)

Sexta-feira, Junho 20, 2008

qual é esse? qual é ele?

do que ouvi da conferência de imprensa dada pelo presidente da 'federação', há pouco, em neuchâtel, retiro um ponto esclarecedor: contrariamente ao que luís filipe scolari disse nunca existiu qualquer constrangimento de ordem económica, por parte da 'fpf', que impedisse um novo contrato com o treinador brasileiro.
ainda segundo madail, aconteceu que scolari entendeu ser o momento de fechar o ciclo selecção e iniciar um outro, completamente diferente, num clube.
para terminar este tema, também me pareceu que gilberto madail não estaria já nada virado para fazer qualquer esforço de renovação com o 'sargentão'.
por último, gostei de ouvir madail dizer que para além dos nomes que estão a ser apontados para a liderança da selecção nacional ele terá uma surpresa para espantar os seus pares na próxima reunião de direcção que tratará da matéria.
nos meus tempos não havia dinheiro para 'esse'. mas hoje há.

acordo historiográfico luso brasileiro

"A capital de Portugal, Lisboa, é a porta de entrada para a Europa. A cidade está em ascensão turística. O idioma oficial é o português mas fala-se fluentemente o espanhol. É uma civilização marcada por diferentes costumes, de origem européia e africana. Sua arquitetura é essencialmente gótica. Banhada pelo Oceano Pacífico e tendo como principal o rio Tejo, Lisboa tem entre seus vultos históricos nomes importantes da história do Brasil, haja vista que já fomos colônia portuguesa. D. Pedro I e II, D.João VI e Dona Maria Leopoldina, entre outras, figuram em nomes de ruas, museus e demais patrimônios públicos. Lisboa é uma cidade plana, de velhos mas bem conservados casarios, clima tropical úmido, temperatura variável, fria no inverno e quente no verão, mas nada comparável ao calor brasileiro. Graças ao Estreito de Gibraltar, Portugal liga-se também ao Oceano Atlântico. O curioso é que 2/3 da capital portuguesa desapareceram após a II Guerra Mundial, mas o primeiro ministro de então, Marquês de Pombal, providenciou a recuperação das ruínas, com orientação de excelentes arquitetos, preservando a originalidade das construções."
('roubado' à 'cristina' que já tinha feito o mesmo ao 'dória')

...e houve um brasileiro, chamado scolari, que ensinou aos portugueses, circa. 2004, o que é isso do amor à pátria.

há vida para além de scolari...e do défice

(imagem daqui)

(actualizado às 6.40 pm)

'post' confirmado por sua excelência o presidente da república;

Quinta-feira, Junho 19, 2008

não há maior cego do que o que não quis ver

há bater num céguinho e bater no céguinho.
dizer que ricardo - um céguinho - era um guarda-redes em crise, creio que quase toda a gente o tinha dito, até eu!, em portugal e fora dele. desde há muito tempo, aliás.
portanto é muito injusto estar a criticá-lo neste momento.
eu, por mim, prefiro bater no céguinho, aquele que por teimosia pura e pelo facto de ser, obviamente, 'invisual', para o que e quando lhe convém, não quis aceitar essa realidade a tempo e horas.
há quatro anos, perder o primeiro jogo com a 'grécia', aceitava-se.
perder o segundo, não!
hoje, ter sofrido o segundo golo de bola parada, aceitava-se.
sofrer o terceiro, a papel químico do anterior, não!

Quarta-feira, Junho 18, 2008

de uma vez por todas

" E até que ponto resistirá a Selecção portuguesa à saída de um treinador tão carismático e marcante como Scolari?
O passado recente, pré-Scolari, em que a Selecção vivia contaminada pela influência dos poderes intalados no futebol doméstico e sob pressão de dirigentes e empresários, não augura nada de bom. E desaconselha...(por aí fora, o disparate continua...)"

(josé antónio lima, 'canto directo' em ' a bola')

jal repete uma mentira, que vários continuam a afirmar à exaustão, de modo a que a mesma se transforme em verdade oficial.
é completamente falso o que ele (e outros) têm afirmado neste sentido!!!...
eu que chefiei as 'selecções nacionais', nos tempos em que os vice presidentes desportivos não abdicavam das suas funções institucionais e estatutárias e - 'pour cause' - entrei em rotura, como é do conhecimento público, com humberto coelho e antónio oliveira, embora as razões das divergências com o primeiro nunca tenham sido tornadas públicas, tenho a obrigação de reafirmar que nunca, por nunca, assisti a qualquer subserviência das 'sn's' a dirigentes e empresários, por parte desses dois treinadores. nem - acrescente-se - de jesualdo ferreira.
se alguém entrou numa área de (de)pendência com um clube, um poder regional ou um dirigente, como foi no caso 'vítor baía', ou, pelo que se passou recentemente no relacionamento, aparentemente concupisciente,
com o empresário jorge mendes, deco mais lui-même, esse senhor chama-se luís filipe scolari.
seria bom que os 'jal's, e outros que por cá andam, escrevendo (e falando) do que não sabem, começassem por explicitar determinadas 'verdades' que usam e abusam na defesa das suas damas de ocasião.

Terça-feira, Junho 17, 2008

sempre há vida depois de sccolari

o 'remoçado' vice-presidente da 'fpf', amândio de carvalho, depois de há pouco mais de duas semanas nos ter dito que, e passo a citar, 'a FPF desconhece o interesse ou a existência de qualquer proposta do Chelsea para assegurar os serviços do actual seleccionador português, o brasileiro Luiz Felipe Scolari' saíu-se hoje com uma revelação bombástica: que o próximo seleccionador, a ser anunciado no final do 'euro', falará português.
para poder comunicar bem com os jogadores, disse ele; e com ele, acrescento eu.

Segunda-feira, Junho 16, 2008

não digo que seja o caso de scolari mas


o russo abramovich, dono do 'chelsea', anda em período de apostas estúpidas.
desta vez resolveu pagar dois milhões de dólares a amy winehouse para esta actuar na abertura da 'galeria' da namorada, em moscovo.
aconteceu o previsível.
para além da bebedeira do costume, que já não a larga, e umas snifadas de coca, not cola, a pequena, tendo embora conseguido apanhar o avião, não escapou à necessidade de um período de recobro de mais de duas horas antes de subir ao palco.

depois actuou sem cuecas o que, atendendendo á maneira como cuida dos cabelos, não terá ajudado em nada a estética do espectáculo.
digo eu.

é verdade, já me ia esquecendo...

então a que conclusão, ou conclusões, chegaram todos aqueles que ontem, antes do portugal-suiça, diziam que a partida também seria um teste à maneira como os 'mininos' estariam a reagir ao anúncio da saída de scolari. o teste, afinal, deu positivo?...ou, antes, pelo contrário, não deu em nada, como seria o mais provável?...

os guardas-redes de scolari

sobre o actual, lothar matthaus considera Ricardo o elo mais fraco da equipa portuguesa e coloca o guarda-redes português sob pressão tremenda. «Ele hesita muito nos cruzamentos e na maior parte das vezes acaba por comprometer a equipa, é quase normal sair em falso...» (em 'a bola').
quanto ao futuro, petr cech, foi o que se viu, ontem.

Domingo, Junho 15, 2008

quando uma imagem e três palavras dizem tudo

(1ª. página de 'o jogo')

(são tão poucos os centros-avante que o pedido de um deles não podia deixar de ser satisfeito)

a resposta que interessa

li, em mais do que um sítio, a opinião de que o jogo de hoje, frente à suiça, servirá para avaliar a resposta da equipa portuguesa ao anúncio da saída de scolari.
tenho uma opinião completamente diferente.
nem o adversário, nem o jogo, por não contar desportivamente falando para nada (além de poder proporcionar mais um milhão de euros à 'fpf'), nem a formação da equipa, ao que tudo indica sem deco, cristiano e bosingwa, servirão para aferir o que o colectivo nacional pensa do facto do actual treinador os deixar, em breve.
[isto para não dizer uma verdade óbvia: os jogadores de futebol têm a memória muito curta nos dias de hoje. bastará esperarmos dois meses para o confirmar.]
a partida de basileia servirá, sim, para scolari ficar com uma ideia mais precisa sobre as respostas que miguel veloso, bruno alves, meira, quaresma e postiga possam acrescentar ao leque das soluções à sua disposição. e isso é que será importante para os três jogos que nos ficarão a faltar.

Sábado, Junho 14, 2008

factualidades

a equipa da grécia a quem scolari nunca conseguiu ganhar jogando duas vezes(!) em casa - e mais um 'friendly' arranjado propositadamente para inverter esse histórico - acabou de ir de charola no 'europeu'.
hoje.

(actualizado, 11.55 am, 15.jun)
como recordou, e bem, o la no comentário que enviou faltou referir o empate caseiro (aveiro) de novembro de 2003;

big sergeant phil

não sei se os jornalistas ingleses (e os portugueses) acharam piada à maneira como luís filipe scolari respondeu, esta tarde, na conferência de imprensa da véspera do jogo com a suiça.
para responder 'sim', 'não' ou 'também', como o fez, já temos o manuel cajuda que é muito melhor do que ele. (até pelo sotaque algarvio).
aliás a maneira como tentou, de um modo provinciano, contornar o seu total e completo desconhecimento do 'inglês', provada pelo recurso aos 'headphones', foi rídícula.
sem a proteção do escudo das 'quinas' vamos ver como é que o 'sargentão', depois de ter confessado que o (seu) negócio foi 'números' (sic), se irá safar diante dos 'trucidadores ' media britânicos...
mas esse também vai ser o lado para o qual eu vou dormir melhor.

medalha de prata

O que perdemos (ou não) com a saída de Scolari

Independentemente de como terminar a carreira de Portugal no Euro 2008, o posterior abandono de Luís Felipe Scolari vai deixar Gilberto Madaíl metido num imbróglio difícil de resolver.

O presidente da federação terá de encontrar um substituto credível a tempo dos jogos de apuramento para o Mundial 2010, sendo que o primeiro de Portugal é já a 6 de Setembro, em Malta. O mandato de Madaíl vai até Janeiro de 2011, mas dentro de alguns meses irão ocorrer eleições intercalares em resultado das alterações do regime jurídico das federações e da correspondente adaptação dos estatutos da FPF. Ora, numa recente (e polémica) entrevista ao PÚBLICO, Madaíl assumiu que, "se Deus quiser", não se recandidatará. Por isso, dever-se-ia colocar a hipótese de o processo ser apressado para permitir que o novo seleccionador já seja escolhido pelo novo presidente. A menos, claro, que Madaíl se torne um pouco mais agnóstico e, a exemplo de outras alturas, volte com a palavra atrás.

Madaíl foi eleito pela primeira vez em 1996 e é o presidente com mais longevidade no cargo. Durante a sua liderança, a selecção atingiu seis fases finais (só falhou o Mundial 1998), três delas já com Scolari. Nesse período, Portugal somou nos europeus uma ida aos "quartos", outra às meias-finais e um segundo lugar, enquanto no último Mundial somou uma meritória quarta posição. O único falhanço (e aí foi ao comprido) aconteceu no Mundial 2002, onde aos maus resultados acrescentou um comportamento extra-desportivo vergonhoso.

Foi exatactamente à custa do despedimento de António Oliveira e da contratação do treinador que se acabara de sagrar campeão do mundo que Madaíl logrou reunir condições mínimas para se aguentar no lugar. A partir daí, passou a tirar partido dos êxitos do brasileiro, o que até o terá ajudado a ganhar um lugar no Comité Executivo da UEFA - onde mantém a ambição de subir na hierarquia.

Madaíl não tirou apenas partido de Scolari em termos de resultados. Com o argumento do feitio nada influenciável do seleccionador, o próprio presidente ficou, contra o que era habitual, mais à-vontade para resistir às solicitações do exterior (leia-se clubes "grandes"). E até a questão dos prémios, que tanta polémica criou noutras alturas, passou a ser um processo pacífico.

Scolari soube ainda marcar um estilo e uma nova forma de liderança, funcionando com os jogadores como um patriarca, sempre pronto a defender o seu rebanho e a dar, de quando em vez, um puxão de orelhas a uma ovelha tresmalhada. Indirectamente, pode ainda dizer-se que Madaíl beneficiou da empatia que Scolari soube inteligentemente criar com a maioria dos portugueses (hoje percebe-se que o afastamento de Baía fez parte dessa estratégia), conseguindo uma adesão e um entusiasmo popular nunca visto no nosso país.

Estes são os méritos, que até os mais críticos (grupo em que reconhecidamente nos integramos) sempre tributaram a Scolari. Porque os elogios aos resultados desportivos devem ser devidamente temperados. O segundo lugar no Euro 2004 beneficiou de um grupo de jogadores de qualidade extra e do estatuto de país anfitrião (o que antes nunca acontecera). E a final perdeu-se frente a uma selecção mediana como é a da Grécia, que logo falhou o apuramento para o Mundial e agora está a cair em desgraça na Áustria.

Tacticamente, Scolari não trouxe nada de novo ao futebol português (e Mourinho tem toda a razão em questionar se uma equipa de minorcas devia defender HxH nas bolas paradas). Fez a renovação que se impunha e que qualquer outro teria feito, talvez até sem o imitar nalguns disparates (Maniche, pois claro, mas também Rui Patrício e Jorge Ribeiro, que, segundo uma reportagem do Record, só foi para servir de animador). Quem conhece as debilidades do futebol nacional sabe que Scolari não contribuiu em nada para as minorar. Aquando da guerra com Agostinho Oliveira, reclamou o estatuto de patrão das várias selecções, mas nunca foi chamado a responder pelos resultados das selecções jovens, que vão de mal a pior.

Agora que ele está de partida, de certeza que estas ideias terão mais adeptos. O que também não é justo.

(bruno prata, no 'público')