interessantíssima - por ilustrativa da maneira como se movem os 'pequenos' poderes neste país - esta polémica entre joão quadros (teve, em tempos, a autoria dos textos 'visconde de alvalade', em 'a bola') e zé diogo quintela dos 'gato fedorento' que
passo a transcrever na íntegra, podendo os antecedentes serem seguidos no blogue 'o mal está feito'.
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"Na sequência de um post (vocês sabem qual) recebi um mail do Zé Diogo Quintela, que não foge com o rabo à seringa e responde ao que escrevi. Aqui está o mail, bem como a minha resposta:
de: Zé Diogo Quintela
Título - mando isto para o cagabolas? aceitam-se sugestões
João, Vi um post no teu blog em que te referias a mim sem dizer o meu nome e acho que te devo esclarecer em relação a um ou dois pontos.
1 - Quando dizes "Eu sei bem o que isso é porque já vi um sketch meu (Incorrigíveis do Sapo) ser proibido pela direcção das PFs, por conter referências a um dos Gato. Custa muito esta constante censura a que os pobres guionistas de humor estão sujeitos.", parece que eu tive alguma coisa que ver com isso, o que não é verdade.
Só soube disso a posteriori e não concordei com a decisão tomada.
Aliás, tenho muita curiosidade em ler o tal texto e as referências. Tenho a certeza que são muito engraçadas. Sempre gostei do teu humor e tenho pena de não o conseguir acompanhar como gostava.
resp- Está bem claro no post que foi a direcção das PF que censurou o sketch
Que pena não me teres enviado um mail com essa discordância e, presumo, indignação, como desta vez. Podias ter usado o teu pequeno poder para tentar que isso não acontecesse. Quem sabe conseguias convencer o Nuno. Mas, ainda bem que já esclareceste (e confirmaste) um dos pontos – fui censurado pelas Pfs.
Eu tenho o texto (eu guardo tudo) e posso enviar-te
E eu também gosto do teu e tenho acompanhado
2 - Depois dizes "Para verem o que nós, que escrevemos humor, sofremos, imaginem que: depois de cinco anos a escrever, semanalmente, o Visconde para o jornal A Bola, houve uma reunião de emergência, de uns indignados comediantes, e tudo acabou duas semanas depois de ter escrito esta entrevista". A não ser que o teu pedido aos leitores seja literal e queiras mesmo que imaginem algo que não aconteceu, estás a mentir.
Nunca houve reunião de emergência na Bola por causa da tua crónica. Nunca nos queixámos à Bola por causa do que escreveste. Não sei porque é que a tua crónica acabou,
resp - Não falo em reunião de emergência no jornal A Bola, a reunião foi nas PFs, na qual o Nuno encenou um telefonema para mim, em que mostrava o seu descontentamento, e o vosso, e que na realidade nunca foi feito ( que maravilha!). Porque o Nuno já tinha lido a entrevista; uns dias antes. Eu informei as Pf que ia escrever o tal espeto, para que não houvesse surpresas, e ele pediu-me se ia lá mostrar às Pfs. Eu fui até lá, mostrei o texto; avisando desde logo que não iria fazer alterações. O Nuno leu, o Pina também e o Rui também e todos disseram que eu ainda devia ter ido mais longe. Especialmente o simpático Nuno. Eu expliquei, que nunca iria pôr nada sobre vocês que tivesse a ver com o meu conhecimento pessoal. Tudo o que ali estava escrito era público e podia ser escrito por quem apenas conhecesse os Gato do que diziam e faziam publicamente - O Nuno, dias mais tarde, disse-me que eu tinha exagerado!!! e que vocês estavam muito chateados com A Bola por ter publicado a entrevista. E que ainda ia sobrar para mim.
3…mas se tiver que adivinhar, suponho que seja porque nós os 4, no fim de 2005, a caminho da RTP, tenhamos decidido terminar com uma série de trabalhos (também deixámos o programa do Herman), para dedicarmos toda a nossa atenção à RTP. Era o mínimo que podíamos fazer, tendo em conta a importância e os valores envolvidos no contrato. -
resp- ADIVINHASTE ! a mim, a justificação que me deram é que vocês estavam proibidos pela RTP de escrever para outros lados; o que eu estranhei, pois, pouco depois, o Góis escrevia para o Record e o Ricardo para a Visão.
4 Julgo que o Vítor Serpa terá aproveitado essa altura para remodelar o conceito das crónicas humorísticas, uma vez que não faria sentido haver uma personagem sportinguista sem o lampião e a tripeira. Julgo até que tenhas sido convidado pelas PF para participar no projecto que nos veio substituir, mas posso estar enganado.
resp- Fui sim senhor, por menos de metade do valor que ganhava e passando a trabalhar para ás Pfs em vez de free-lancer, como eu era na altura (e hoje) E, até hoje, ainda estou à espera de um telefonema da Bola para me avisarem que a crónica acabou. Porque quem me deu a notícia foi o Nuno Artur.
5- Nunca quisemos acabar com a tua crónica. A prova disso é que, meses antes, o Vítor Serpa me abordou para te substituir como cronista do Sporting, pedindo-me para criar uma nova personagem. Sucede que, na altura, tinha ouvido comentar nas PF que tu estavas a atravessar uma situação familiar complicada, e não aceitei. O Vítor Serpa poderá confirmar-te isto, ele lembra-se bem e sabe que foi essa a razão da minha recusa.
resp- O Vítor tem muita classe! Pensei que a tua recusa tinha a ver com o tal muito trabalho que tinhas na altura, mas presumo que tenhas chegado à conclusão, que o Vítor te estava a convidar porque as Crónicas da Dona Vitória tinham muito mais graça que as do Visconde (e não por tu seres um dos Gato) e que eu já sabia desse convite. Se, realmente, foi um mês antes, é pena que quase tenha quase coincidido com um mail do Vítor a dar-me os parabéns pelas minhas crónicas, que apesar de demasiado anti-benfiquistas, tinham muitos e cada vez mais leitores. Ainda bem que tu és um indivíduo sensível; já desconfiava, mas a sensibilidade do teu colega do - vão ter que ir procurar trabalho - deixa-me ensopado em lágrimas. O problema, daquela última frase (do Ricardo e do Góis), é que diz que é uma espécie de “human stain”.
Aliás, voltou a falar-me do assunto quando me convidou para escrever a minha crónica actual. Só conto isto porque, com este post, estás a difamar-me, a mim e ao Ricardo, Tiago e Miguel. Assim, ficas a saber. Se fosse para te tramar, acredita, já te tínhamos tramado há mais tempo.
Essa foi à Sócrates vs Público. Sim, que horror! imagino que, além de me tirarem o trabalho, ainda me teriam cortado o órgão sexual só com o olhar.
Também nunca te censurámos ou tentámos fazê-lo. Nem sei porque é que pensas que o faríamos.
Abraço Zé Diogo
Terei as minhas fantasiosas razões.
Outro abraço,
João Quadros
ps - é verdade, Zé Diogo. A próxima vez que me enviares um mail (como este foi o primeiro podias não saber) agradeço que evites o cagabolas e outras coisas que tais, para não termos de nos chatear; logo nós que nos damos tão bem. E venham de lá essas acusações de difamação. Eu estou cá para elas, com a minha memória, os meus pequenos apontamentos e a minha vontade de cagar, não só em cima de bolas mas também, nos locais apropriados.